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sexta-feira, 29 de abril de 2011




O grande amor: Ana Amélia



Retrato de Gonçalves Dias.Por ocasião da elaboração da antologia poética da fase romântica, elaborada por Manuel Bandeira, Onestaldo de Pennafort gentilmente escreveu a nota que segue, retirada daquela obra e aqui transcrita:

" A poesia "Ainda uma vez --adeus,--" bem como as poesias "Palinódia e "Retratação" -- foram inspiradas por Ana Amélia Ferreira do Vale, cunhada do Dr. Teófilo Leal, ex-condiscípulo do poeta em Portugal e seu grande amigo.

" Gonçalves Dias viu-a pela primeira vez em 1846 no Maranhão. Era uma menina quase, e o poeta, fascinado pela sua beleza e graça juvenil, escreveu para ela as poesias "Seus olhos" e "Leviana". Vindo para o Rio, é possível que essa primeira impressão tenha desaparecido do seu espírito. Mais tarde, porém, em 1851, voltando a S. Luís, viu-a de novo, e já então a menina e moça de 46 se fizera mulher, no pleno esplendor da sua beleza desabrochada. O encantamento de outrora se transformou em paixão ardente, e, correspondido com a mesma intensidade de sentimento, o poeta, vencendo a timidez, pediu-a em casamento à família.

" A família da linda Don`Ana -- como lhe chamavam -- tinha o poeta em grande estima e admiração. Mais forte, porém, do que tudo era naquele tempo no Maranhão o preconceito de raça e casta. E foi em nome desse preconceito que a família recusou o seu consentimento.

" Por seu lado o poeta, colocado diante das duas alternativas: renunciar ao amor ou à amizade, preferiu sacrificar aquela a esta, levado por um excessivo escrúpulo de honradez e lealdade, que revela nos mínimos atos de sua vida. Partiu para Portugal. Renúncia tanto mais dolorosa e difícil por que a moça que estava resolvida a abandonar a casa paterna para fugir com ele, o exprobrou em carta, dura e amargamente, por não ter tido a coragem de passar por cima de tudo e de romper com todos para desposá-la!

" E foi em Portugal, tempos depois, que recebeu outro rude golpe: Don`Ana, por capricho e acinte à família, casara-se com um comerciante, homem também de cor como o poeta e nas mesmas condições inferiores de nascimento. A família se opusera tenazmente ao casamento, mas desta vez o pretendente, sem medir considerações para com os parentes da noiva, recorreu à justiça, que lhe deu ganho de causa, por ser maior a moça. Um mês depois falia, partindo com a esposa para Lisboa, onde o casal chegou a passar até privações.
" Foi aí, em Lisboa, num jardim público, que certa vez se defrontaram o poeta e a sua amada, ambos abatidos pela dor e pela desilusão de suas vidas, ele cruelmente arrependido de não ter ousado tudo, de ter renunciado àquela que com uma só palavra sua se lhe entregaria para sempre. desvairado pelo encontro, que lhe reabrira as feridas e agora de modo irreparável, compôs de um jato as estrofes de "Ainda uma vez -- adeus --" as quais, uma vez conhecidas da sua inspiradora, foram por esta copiadas com o seu próprio sangue."
Retrato de Gonçalves Dias.Por ocasião da elaboração da antologia poética da fase romântica, elaborada por Manuel Bandeira, Onestaldo de Pennafort gentilmente escreveu a nota que segue, retirada daquela obra e aqui transcrita:

" A poesia "Ainda uma vez --adeus,--" bem como as poesias "Palinódia e "Retratação" -- foram inspiradas por Ana Amélia Ferreira do Vale, cunhada do Dr. Teófilo Leal, ex-condiscípulo do poeta em Portugal e seu grande amigo.

" Gonçalves Dias viu-a pela primeira vez em 1846 no Maranhão. Era uma menina quase, e o poeta, fascinado pela sua beleza e graça juvenil, escreveu para ela as poesias "Seus olhos" e "Leviana". Vindo para o Rio, é possível que essa primeira impressão tenha desaparecido do seu espírito. Mais tarde, porém, em 1851, voltando a S. Luís, viu-a de novo, e já então a menina e moça de 46 se fizera mulher, no pleno esplendor da sua beleza desabrochada. O encantamento de outrora se transformou em paixão ardente, e, correspondido com a mesma intensidade de sentimento, o poeta, vencendo a timidez, pediu-a em casamento à família.

" A família da linda Don`Ana -- como lhe chamavam -- tinha o poeta em grande estima e admiração. Mais forte, porém, do que tudo era naquele tempo no Maranhão o preconceito de raça e casta. E foi em nome desse preconceito que a família recusou o seu consentimento.

" Por seu lado o poeta, colocado diante das duas alternativas: renunciar ao amor ou à amizade, preferiu sacrificar aquela a esta, levado por um excessivo escrúpulo de honradez e lealdade, que revela nos mínimos atos de sua vida. Partiu para Portugal. Renúncia tanto mais dolorosa e difícil por que a moça que estava resolvida a abandonar a casa paterna para fugir com ele, o exprobrou em carta, dura e amargamente, por não ter tido a coragem de passar por cima de tudo e de romper com todos para desposá-la!

" E foi em Portugal, tempos depois, que recebeu outro rude golpe: Don`Ana, por capricho e acinte à família, casara-se com um comerciante, homem também de cor como o poeta e nas mesmas condições inferiores de nascimento. A família se opusera tenazmente ao casamento, mas desta vez o pretendente, sem medir considerações para com os parentes da noiva, recorreu à justiça, que lhe deu ganho de causa, por ser maior a moça. Um mês depois falia, partindo com a esposa para Lisboa, onde o casal chegou a passar até privações.
" Foi aí, em Lisboa, num jardim público, que certa vez se defrontaram o poeta e a sua amada, ambos abatidos pela dor e pela desilusão de suas vidas, ele cruelmente arrependido de não ter ousado tudo, de ter renunciado àquela que com uma só palavra sua se lhe entregaria para sempre. desvairado pelo encontro, que lhe reabrira as feridas e agora de modo irreparável, compôs de um jato as estrofes de "Ainda uma vez -- adeus --" as quais, uma vez conhecidas da sua inspiradora, foram por esta copiadas com o seu próprio sangue."

Qual relação podemos fazer entre a canção do exílio,o o seu grande amor e as características românticas?
Ficheiro:Gonçalves Dias.jpg

Canções do Exílio




Um dos principais poemas de nossa Literatura, é a Canção do Exílio, de Gonçalves Dias. Além de marcar o momento nacionalista do romantismo brasileiro, este poema serviu de inspiração para inúmeros poetas de todas as épocas literárias. Dessa forma, você pode utilizá-lo para desenvolver uma atividade sobre intertextualidade.

OBJETIVOS

Os objetivos dessa atividade são:

- reconhecer e demonstrar a intertextualidade;

- desenvolver a expressão escrita do aluno;

- desenvolver o uso de linguagem poética e da ironia.

INSTRUÇÕES

Abaixo apresentamos uma coletânea de textos, gerados a partir da Canção do Exílio ” de Gonçalves Dias:

1) Canção do Regresso à Pátria

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para São Paulo
Sem que eu veja a rua 15
E o progresso de São Paulo

Oswald de Andrade


2) Canção do exílio

Minha terra tem macieiras da Califórnia
Onde cantam gaturamos de Veneza
Os poetas da minha terra
São pretos que vivem em torres de ametista,
Os sargentos do exército são monistas, cubistas,
Os filósofos são polacos vendendo a prestações.

A gente não pode dormir
Com os oradores e os pernilongos,
Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.

Eu morro sufocado
Em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
Nossas frutas mais gostosas
Mas custam cem mil réis a dúzia.

Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade
E ouvir um sabiá com certidão de idade!

Murilo Mendes


3) Sabiá

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor
Talvez possa espantar
As noites que eu não queria
E anunciar o dia

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer

Tom Jobim e Chico Buarque de Holanda


Antes de mais nada, realize a leitura dos três poemas acima, assim como da Canção do Exílio. Deixe claro para seus alunos que os textos tinham objetivos diferentes. O texto de Gonçalves Dias exaltava a pátria, era nacionalista e romântico, enquanto os textos de Oswald de Andrade e Murilo Mendes apresentavam a realidade que estavam vivendo os modernistas. Eles desejavam mostrar o Brasil, seu progresso e seus problemas. Já a música de Tom Jobim e Chico Buarque apresenta a subjetividade e os problemas da época contemporânea: ela foi escrita durante o regime militar, e por isso o exílio ganha outra conotação, ligada à opressão da ditadura. Ressalte que somos influenciados pela História, pelos acontecimentos políticos, sociais e culturais de nossa época.

-A seguir, proponha aos alunos que eles também façam uma paródia do texto de Gonçalves Dias. Para fazer seus textos, eles também devem ter um objetivo: expressar seu nacionalismo ou ironizá-lo, por exemplo. Procure também trabalhar de forma crítica, evocando questionamentos como “em que país nós vivemos?”.

-Depois da produção dos textos, escolha junto com sua turma os melhores, apresentando-os na forma de mural para os demais alunos da escola. Não se deve esquecer de colocar, juntamente com a produção dos alunos, o texto gerador, de Gonçalves Dias. Os alunos podem também apresentar oralmente os versos que produziram e a classe escolher as melhores apresentações.

Curiosidades



As múmias são alguns dos elementos mais característicos do Egito Antigo. As múmias nada mais eram que cadáveres que passavam por um processo que garantia que ficassem preservados, porque os egípcios acreditavam que ter o corpo conservado após a morte garantia a vida eterna e a possibilidade de ressurreição. Com o tempo, uma série de lendas começaram a surgir a respeito desses cadáveres preservados, e as múmias passaram a figurar entre os principais personagens dos filmes e das histórias de terror.Mas, uma dessas histórias de terror nos chama bastante a atenção: trata-se das histórias sobre a múmia de Tutancâmon, a mais famosa múmia da História, descoberta em 1922 por uma equipe chefiada pelo arqueólogo britânico Howard Carter. Tutancâmon foi um faraó egípcio que morreu muito jovem, com cerca de 19 anos, que, apesar da pouca idade, foi um faraó importante dentro da história egípcia, uma vez que restaurou o politeísmo no Egito Antigo após o período monoteísta instituído pelo seu pai Akhenaton.

 
A múmia de Tutancâmon






Além disso, sua múmia se tornou a mais famosa da História por ser uma das poucas encontradas intactas pelos arqueólogos, encontrando-se conservada mesmo quase 3.500 anos depois de sua morte. E não era só o corpo que se encontrava conservado, o seu túmulo também se encontrava inviolado no momento em que os arqueólogos o encontraram - o que é muito raro, visto que os ladrões costumavam entrar nas tumbas para roubar os tesouros e as relíquias dos faraós -, havendo muitos objetos e escritos que ajudaram muito os estudiosos a compreender melhor a sociedade egípcia da época.No entanto, nem tudo foram flores nessa empreitada científica, porque uma série de acontecimentos estranhos e macabros passaram a acontecer com as pessoas que participaram da expedição, fazendo com que muitas lendas a respeito da maldição da múmia de Tutancâmon surgissem.
Howard Carter e a múmia de Tutancâmon Clique aqui para ampliar
O primeiro fato estranho aconteceu no dia em que a primeira passagem da tumba foi descoberta: o canário de estimação de Howard Carter foi visto sendo engolido por uma serpente, o que foi interpretado como mau presságio, uma vez que se dizia que as serpentes eram as responsáveis por guardar os túmulos desses mortos. Além disso, conta-se que o financiador da expedição, o Lord Carnarvon, morreu a caminho de encontrar os cientistas, antes de ver a múmia, e, no dia da sua morte, sua cachorra de estimação morreu de maneira inesperada na Inglaterra. Nesse mesmo dia, o Cairo sofreu um blecaute sem explicações.
Ainda, vários dos visitantes da tumba de Tutancâmon morreram depois da visita. No entanto, os cientistas acreditam que essas mortes ocorreram porque, na época, os cientistas não tomavam as precauções necessárias para terem contato com esses corpos e ambientes antigos; assim, acabavam manipulando os objetos e os corpos sem máscaras ou luvas, entrando em contato com fungos e bactérias que seus anticorpos não estavam preparados para combater, vindo a adoecer e a morrer tempos depois. Além disso, há a hipótese levantada por cientistas de que os egípcios conheciam o urânio e o utilizavam para proteger os corpos, sendo muitos dos casos de cansaço e de depressão apresentados pelos que estiveram em contato com a múmia causados pela contaminação pela radiotividade.
A verdade é que essas mortes - mesmo explicadas cientificamente - e as lendas em torno dos fatos ocorridos acabaram por alimentar as lendas a respeito da maldição de Tutancâmon, fato que foi muito explorado pelos jornais sensacionalistas da época. Assim, independente de haver ou não uma maldição, a verdade é que a tumba de Tutancâmon representou um achado de valor inestimável para aqueles que são apaixonados pela História.




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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Apresentação Romantismo




ROMANTISMO Slide Temático - Palavras chave - Contexto Histórico-Caracter...




sábado, 13 de novembro de 2010

Arcadismo...




ARCADISMO



O Arcadismo

 No séc. XVIII, as formas artísticas do Barroco já se encontram desgastadas e decadentes. O fortalecimento político da burguesia e o aparecimento dos filósofos iluministas formam um novo quadro sócio político- cultural, que necessita de outras fórmulas de expressão. Combate-se a mentalidade religiosa criada pela Contra-reforma, nega-se a educação jesuíta praticadas nas escolas, valoriza-se o estudo científico e as atividades humanas, num verdadeiro retorno à cultura renascentista. A literatura que surge para combater a arte barroca e sua mentalidade religiosa e contraditória é o Neoclassicismo, que objetiva restaurar o equilíbrio por meio da razão.


 





Dentre as variedades do neoclassicismo, figurou o movimento arcádico. No final do séc. XVII, fixou residência em Roma a jovem ex-rainha Cristina da Suécia, que renunciara ao trono e ao luteranismo, convertendo-se ao catolicismo. Inteligente e culta, desde a Suécia habituara-se a cercar-se de sábios e artistas, para discussão e leitura de trabalhos literários. Em Roma, atraiu para essas reuniões a fina flor da inteligência local, formando um cenáculo intelectual que, após sua morte, se transformaria na Arcádia (1690). Nasceu , assim, com regulamentos e programas, a nova academia, composta de 16 membros. Tinha o objetivo de reconduzir à fonte da natureza, à simplicidade de sentimento e de estilo, a poesia e, em geral, a literatura, que, na opinião dos seus componentes, estavam desviadas pelos cattivo gusto, herança do seiscentismo.



 O nome de Arcádia era dado na Grécia antiga à região do Peloponeso, morada do deus Pan, e onde a tradição imaginava residirem todos os pastores com seus míticos e plácidos costumes, em contato com a natureza, onde residiam a beleza, pureza e espiritualidade. Procuravam adoçar a dureza do viver mercê de uma disposição para o canto e a dança, as canções de amor e as pugnas poéticas, caracterizadas pela espontaneidade e simplicidade. Segundo Toffanin, era a pátria da antiga poesia pastoral. Por isso, o nome foi transferido para a academia italiana, acrescentando-se ainda a particular ressonância obtida pelo romance pastoral de Jacopo Sannazareo (1458-1530), intitulado Arcádia (1504). Os membros da nova Arcádia chamavam-se “pastores”, cada um adotando um nome pastoril, grego ou latino, sendo o presidente eleito e designado “guardião geral”. 




As reuniões eram realizadas em parques e jardins. No combate ao estilo empolado do Barroco decadente, com sua retórica artificial e suas sutilezas conceptistas, visava o arcadismo ou movimento arcádico retornar à simplicidade, equilíbrio, naturalidade e clareza dos modelos clássicos.



Restabelecendo a poética antiga, a forma clássica, o buono stile, a naturalezza Del dire, na linha da liberdade e simplicidade anacreôntica e pindárica, ou de conformidade com o petrarquismo quinhentista, cantando o amor, a natureza, a vida simples e bucólica. Do ponto de vista formal, a simples e idílica alma lírica setecentista encontrou no verso solto, nas odes e elegias o instrumento ideal. Criou assim um novo estilo individual e de época, englobando-se no rococó literário.





 

 Além do seu caráter democrático, a Arcádia teve uma tendência supernacional. O movimento de reforma literária e linguística irradiou-se em filiais pelos diversos reinos e cidades da Itália e em numerosos países estrangeiros, que se denominaram “colônias”.





 
Da Itália, o movimento arcádico passou a Portugal e ao Brasil. Empenhando que estava Portugal, no séc. XVIII, numa reação anti-castelhana, inclusive como reação paralela a restauração da independência, o movimento arcádico encontrou boa acolhida. As academias do século anterior foram-se transformando em corporações, do tipo ora arcádico, ora científico. De qualquer modo, no sentido da tradição clássica e também abrindo-se à influência francesa, que invadia o século







Em Portugal, o arcadismo instalou-se com a Arcádia Lusitana (1756-1774), reunindo escritores de renome: Antônio Dinis da Cruz e Silva, Gomes de Carvalho, Manoel de Figueiredo, Cândido Lusitano, Domingos dos Reis Quita, Correia Garção, José Caetano de Mesquita. Houve, ainda, a nova Arcádia, no final do século XVIII, de que foram membros Bocage e José Agostinho de Macedo.




Com o arcadismo desenvolve-se no Brasil a primeira produção literária adaptada à realidade
nacional. As obras começam a se afastar dos modelos portugueses ao descrever as paisagens locais e criticar a situação política do país. Surgem vários poetas em Vila Rica, atual Ouro Preto (MG) – capital cultural e centro de riqueza na época –, grande parte deles ligada à Inconfidência Mineira. Os árcades constituem a primeira geração de escritores brasileiros




 







 





Ideais iluministas: (Os pensadores iluministas tinham como ideal a extensão dos princípios do conhecimento crítico a todos os campos do mundo humano. Supunham poder contribuir para o progresso da humanidade e para a superação dos resíduos de tirania e superstição que creditavam ao legado da Idade Média.






A maior parte dos iluministas associava ainda o ideal de conhecimento crítico à tarefa do melhoramento do estado e da sociedade.) como expressão artística da burguesia, o Arcadismo veicula também certos ideais políticos e ideológicos dessa classe, no caso, ideais do iluminismo. Os iluministas foram pensadores que defenderam o uso da razão, em contraposição à fé cristã, e combateram o absolutismo. Embora não sejam a preocupação central da maioria dos poetas árcades. Ideias de liberdade, justiça e igualdade social estão presentes em apenas alguns textos da época.
 
                                                                                
 Convencionalismo amoroso: na poesia árcade, as situações são artificiais;não é o próprio poeta quem fala de si e de seus reais sentimentos. No plano amoroso, por exemplo, quase sempre é um pastor que confessa seu amor por uma pastora e a convida para aproveitar a vida juntos à natureza. Porém, ao se lerem vários poemas, de poetas árcades diferentes, tem-se a impressão de que se trata sempre de um mesmo homem, de uma mesma mulher e de um mesmo tipo de amor. Não há variações emocionais. Isso ocorre devido ao convencionalismo amoroso, que impede a livre expressão dos sentimentos, levando o poeta a racionaliza. Ou seja, o que mais importava ao poeta árcade era seguir a convenção, fazer poemas de amor como faziam os poetas clássicos, e não expressar os sentimentos. Além disso mantém-se o distanciamento entre os amantes, que já se verifica na poesia clássica.



 A transição do barroco para o arcadismo no país dá-se em 1768, com a publicação do livro Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa. Entre os árcades destacam-se, ainda, Tomás Antônio Gonzaga, autor de Marília de Dirceu; Basílio da Gama (1741-1795), de O Uraguai; e Silva Alvarenga (1749-1814), de Glaura. Apesar do engajamento pessoal, a produção desses autores não está a


serviço da política.




 


 Características




Urbem (fuga da cidade): influenciados pelo poeta latino Horácio, os árcades  defendiam o bucolismo como ideal de vida, isto é, uma vida simples e natural, junto ao campo, distantes dos centros urbanos. Tal princípio era reforçado pelo pensamento do filósofo francês Jean Jacques Rousseau, segundo o qual a civilização corrompem os costumes do homens, que nasce naturalmente bom.



.Aurea mediocritas (vida medíocre materialmente mas rica em realizações espirituais): outro traço presente advindo da poesia horaciana é a idealização de uma vida pobre e feliz no campo, em oposição à vida luxuosa e infeliz na cidade.